CAU Brasil

Haroldo Pinheiro defende recuperação dos espaços que “apodreceram” as cidades

A palestra de abertura foi centrada na relação íntima entre urbanismo, empreendedorismo e qualidade de vida. Foto: Dailce Lima
A palestra de abertura foi centrada na relação íntima entre urbanismo, empreendedorismo e qualidade de vida. Foto: Dailce Lima

“É preciso resgatar ou corrigir os espaços urbanos que nossas cidades desprezaram, nas últimas décadas, em decorrência do rápido crescimento urbano do país”, conclamou  o presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro, na abertura do 27° Congresso Nacional Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), realizada em Brasília no dia 12/08/2105. “Curitiba foi pioneira, com as propostas do arquiteto e urbanista Jaime Lerner. Hoje vemos São Paulo, Rio e Belo Horizonte seguirem o mesmo caminho. São mudanças difíceis, mas sem as quais nossas cidades apodrecem, perdem sua beleza e condições de convivência para os cidadãos”.

O evento reuniu diversos empresários, lideranças da alimentação fora do lar e jornalistas para discutir assuntos voltados para urbanismo, empreendedorismo e qualidade de vida com o tema “A partir das ruas, Simplifica o Brasil”. A proposta do evento foi debater como a estrutura urbana pode influenciar o consumo e discutir a construção de cidades onde empreender seja mais simples e, a partir dessas mudanças, proporcionar uma maior qualidade de vida para os cidadãos.

O presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, fez o discurso de abertura e ressaltou como o setor contribui para convívio nos centros urbanos. “Bares, restaurantes e cafés são elementos fundamentais na paisagem urbana. Eles ajudam a fazer com que a convivência entre as pessoas aumente”, destacou.

Na sequência teve início a palestra proferida pelo chefe de gabinete da secretaria municipal de desenvolvimento urbano de São Paulo, Weber Sutti, que apresentou diversos projetos implementados na cidade – como as ciclovias, os “parkets”, a retirada de grades em praças e a ampliação da largura das calçadas previstas no novo Plano Diretor . Segundo ele, essas mudanças contribuíram para aumentar a qualidade de vida das pessoas. “As estruturas das grandes cidades estão ligadas diretamente com o ritmo de consumo dos bares e restaurantes. Melhorias dos espaços públicos tornam as ruas mais seguras e saudáveis e aumenta os espaços de convivência. Consequentemente, isso aumenta o consumo, pois o ato de sair para consumir alguma coisa será mais agradável e prazeroso”, ressaltou.

Logo após, o presidente do CAU/BR ,  Haroldo Pinheiro, afirmou que é fundamental que tais operações sejam feitas com planejamento. “A intenção é correta, mas temos que investir na qualidade. As ciclovias, por exemplo,  não podem ter pistas por cima de bueiros ou serem desprotegidas do trânsito dos carros e ônibus. Fazer bem, fazer a partir de um bom projeto, não significa um gasto maior. O resultado, isto sim, é maior, como calçadas desenhadas para serem mais confortáveis”. As faixas exclusivas de ônibus, afirmou ele, garantem um transporte mais ágil, mas não necessariamente mais confortável se não substituirmos a frota dos “caminhões carroçáveis” e não melhorarmos as condições do leito das vias. “É preciso buscar permanentemente a qualidade das obras públicas que são importantes polos de requalificação das cidades”,

O editor-chefe do site Planeta Sustentável, Matthew Shirts, mediador do evento, ressaltou a importância da crescente conscientização e participação da sociedade na gestão urbana dos grandes centros, como o atual debate sobre o futuro do Minhocão em São Paulo.

* Com informações da Abrasel e do CAU/BR.

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